Joana Manuel

és cantora ou és actriz?

 

 

Comecei a estudar música aos oito anos, estudei piano, guitarra clássica, baixo eléctrico, cantei em coros e bandas de garagem. Durante três anos frequentei a escola de jazz do Hot Clube de Portugal, fui vocalista da Big Villas Band dirigida por João Moreira, fiz gigs com várias pequenas formações em vários pequenos espaços lisboetas (mentira, uma vez fui a Torres Vedras) de fruição do grande caldeirão que pode levar o rótulo de "jazz". Durante cinco anos fui aluna de canto de Maria Cristina de Castro no Conservatório Nacional. Fiz dois anos da licenciatura em Formação Musical da Escola Superior de Música de Lisboa e acabei por me licenciar em Canto na mesma escola, em 2005, na classe de Luís Madureira. Em 2008 o ciclo completou-se e fui a primeira professora de Voz da recém-criada licenciatura em Jazz da mesma escola. Em 1998 tornei-me membro efectivo do Coro Gulbenkian, onde estive oito anos, e nessa condição cantei pelo mundo todo muita da música mais bela no mundo escrita, sob algumas dos maiores batutas em exercício. Um nome tem sempre de surgir: Frans Brüggen. Mas também Richard Hickox, Colin Davis, Michael Zilm e novamente Frans Brüggen. Fui soprano solista na obra Avoaha! de Maurice Ohana nas últimas Jornadas de Música Contemporânea da FCG, em 2001. Estreei a obra Morning, de Christopher Bochmann, com o Grupo Vocal Olisipo, encomenda da Porto Capital da Cultura. Tinha a certeza de que era pela música contemporânea que ia fazer o meu percurso. Fiz ópera, oratória, lied. Ainda hoje faço recitais com, por exemplo, Nuno Vieira de Almeida. Estreei, nos últimos cinco anos, uma obra de Vasco Mendonça (a última vez em que a seguir ao meu nome no programa se pôde ler "soprano") e outra de Pedro Moreira (onde a seguir ao meu nome não vinha nada porque os rótulos são curtos). Cantei na dobragem de alguns dos mais famosos filmes de animação, quer em coro quer em solo/personagem. Cantei no palco e em estúdio com Sérgio Godinho (no palco mais ao lado, em estúdio mais atrás) e com Kevin Blechdom e Christopher Fleeger. Sou cantora.

 

O teatro sempre esteve na retina, mas na vida entrou primeiro por via do cabaret, da ópera, de Sondheim, de Bernstein, dos Sons em Cena. Estreei-me profissionalmente em 2001, no Teatro Maria Matos, e não parei mais. Fiz o exame final na escola, em 2005, cantando Kurt Weill, Arnold Schönberg e Benjamin Britten, e a seguir corri para a Comuna para um ensaio geral com Fernando Gomes. Fiz trabalho de interpretação e corpo, na escola e fora dela. Lancei a voz noutras direcções e solidificações com a ajuda de João Henriques, no São João. E de muito ioga. Descobri que nada está só na voz e que a voz está em tudo, até quando se cala. Fiz preparação vocal para espectáculos, como assistente de Luís Madureira e trago a cabeça no ar até hoje. Agora, de algum modo, outro ciclo se fechou e sou professora de Voz e Canto no Departamento de Artes Cénicas da Universidade de Évora. Passei por Alfred Jarry, Molière, Horacio Ferrer, Goldoni, Fassbinder, Brecht, Beckett, Luísa Costa Gomes, Jacinto Lucas Pires, Elmer Rice, José Maria Vieira Mendes, Constança Capdeville; com encenadores/criadores como Fernando Gomes, Cláudio Hochmann, Nuno M Cardoso, João Henriques, Ricardo Pais, Nuno Carinhas, Fernanda Lapa, Caroline Petrick, Giorgio Barberio Corsetti, Teatro Praga, Raquel Freire; em teatros de Lisboa — São Luiz, Teatro da Trindade, Teatro Nacional Dona Maria II, Teatro da Comuna, Chapitô, CCB; do Porto — Teatro Helena Sá e Costa, Teatro Nacional São João, Teatro Carlos Alberto, CineTeatro Constantino Nery; de cá dentro — Teatro Viriato, Centro Cultural Vila Flôr, TEMPO; e de lá de fora — Teatro Argentina (Roma), Teatro Stabile de Turim, La Comédie de Reims, Beursshowburg (Bruxelas), Teatro do Brigadeiro (São Paulo, Brasil). Fiz publicidade em televisão, faço dobragens e locuções. Fiz uma curta (de escola mas diverti-me à grande) e fui recentemente uma das actrizes do projecto sobre violência doméstica filmado por Raquel Freire para a Comissão para a Igualdade de Género. Sou actriz.

 

 

Ou sou professora. Ou sou revisora literária não-praticante. Ou sou tradutora, adaptadora de canções para desenhos animados e directora musical de dobragem para a RTP. Ou sou activista. Ou sou fotógrafa. Ou sou cronista e blogger. Um dia destes faço um filme. Ou escrevo um livro. Ou se calhar abro um café com um piano velho ao fundo.

  

 

Nov 2010 

 

 

Nov 2010
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